segunda-feira, 15 de junho de 2009

Palacetes de Alcobaça



Palacete Dr.Rapouso de Magalhães;
Palacete Rino;
Palacete Oriol Pena;
Palacete Bernardino Lopes;
Palacete Araujo Guimarães;
Palacete da Fonte Nova.



A aula no exterior teve início junto ao bar da escola onde as professoras procederam à chamada dos alunos e foi feita uma breve explicação sobre os palacetes a visitar, tendo sido referido que os mesmos apresentam um estilo arquitectónico do Romantismo tardio do século XIX/XX., construído a gosto dos Chalets Suíços.
Ainda na escola foi feita à apresentação do palacete Dr José Eduardo Raposo Magalhães(anexo1), edificado em 1906, pelo referido Dr. Este está situado na Quinta da Cova da Onça, outrora terreno da pertença do Mosteiro. O proprietário deste palacete, foi um homem muito ligado a Alcobaça devidos aos diversos cargos que desempenhou e pelo respeito e afecto que todos os conterrâneos tinham pela sua pessoa.
De seguida, percorremos a Rua Costa Veiga na direcção da Av. Dos Combatentes, onde visitaríamos o palacete Rino. Foi mandado construir em 1891, por José Maria Alpoim, grande lavrador e proprietário de várias terras. No entanto é Maria Cristina Rino que por herança o recebe e ao qual foi dado o nome de família (Rino), como é visível no monograma trabalhado no portão principal. Este palacete, como os demais, foram construídos em terrenos pertencentes ao Mosteiro que devido à expulsão das ordens religiosas em 1833, forma vendidos a famílias burguesas.
Entrámos, no palacete Rino(anexo1), guiados pela Irmã Tânia, da ordem de S. José de Cluny, actuais proprietárias da casa. Esta religiosa, informou-nos ainda que por vontade expressa de Maria Cristina Rino, após a sua morte, este deveria servir de apoio à infância. Neste sentido hoje está instalado um infantário neste maravilhoso espaço, sob a orientação das Irmãs da congregação mencionada. Pudemos constatar no interior do palacete, que o estilo Romântico Tardio, está bem patente em todo o edifício, nomeadamente na altura das divisões da casa, assim como, o trabalhado dos tectos e ainda no exterior onde os telhados fortemente inclinados são característicos dos países do centro da Europa e de onde na época vinham as inspirações arquitectónicas para Portugal.
De imediato, rumamos ao palacete, Francisco d’Oriol Pena(anexo1), actualmente os Paços do Concelho. Durante o percurso a professora Ilda Velez referiu, que o palacete do Dr. Barreto e a casa de Tomáz Silvério Raposo, ambas na Rua Dr. Brilhante, também fazem parte do enorme conjunto de casas de arquitectura requintada desta localidade e que reflectem de alguma forma, o conjunto de famílias abastadas da terra.
Chegámos ao palacete Pena, mandado construir por Francisco Xavier d’Oriol Pena, em 1890, na Quinta da Gafa, antigo relego do Mosteiro. Este foi projectado por um arquitecto suíço e com as características muito próximas do estilo neo-romântico. É evidente a ostentação, a grandeza e a verticalidade dos telhados, usados nos países onde a neve é bastante abundante.
Seguidamente, fomos visitar o palacete Bernardino Lopes de Oliveira(anexo1), mandado construir pela pessoa que lhe dá o nome, em 1862. Este senhor consagrou grande parte da sua fortuna ao desenvolvimento da vila de Alcobaça, hoje cidade. Esta casa, situada na Rua da Conceição, foi objecto de restauro pelo actual proprietário, tendo sido alterado algumas partes do seu interior, nomeadamente um elevador para o uso dos utentes de uma actual clínica a funcionar naquele espaço. No exterior, mantém a traça original respeitando os elementos arquitectónicos da época. Nesta casa só visitamos a antiga sala de fumo e o espaço de entrada da casa.
O próximo palacete, deste passeio, foi o de Araújo Guimarães (anexo1), mandado construir por volta de 1870/1872. Araújo0 Guimarães foi um grande impulsionador do desenvolvimento industrial de Alcobaça, criando uma fábrica de moagem e outra de conservas de fruta. O palacete com o seu nome, também evidencia o estilo arquitectónico das casas abastadas do Século XIX. Hoje, neste palacete funciona a biblioteca municipal. Foi alvo de obras de restauro e conservação, nomeadamente no seu interior, onde foi adaptado o espaço para guardar o acervo documental da nossa cidade. Contudo, este palacete, anteriormente foi uma fábrica chamada Alimentícia, sobejamente conhecida pelos habitantes desta localidade. Esta fábrica surge na sequência de um antigo proprietário de origem alemã e aquando do fim da Grande Guerra 1914/1918, os bens alemães foram expropriados e assim, o palacete foi vendido a uma sociedade que ali montou a fábrica.
Continuámos a nossa visita e fizemos uma pequena paragem na Praça da Republica, para aí desfrutarmos da nossa merenda já tão desejada pelos nossos estômagos adolescentes e sempre ávidos de comida. Após a breve paragem, seguimos na direcção do palacete da Fonte Nova(anexo1), que foi pertença de um industrial, António Cândido da Encarnação, construído em 1877, situado na zona da Quinta da Fonte Nova e foi requalificado para a nova actividade que aí tem lugar, Turismo de Habitação. Neste palacete pudemos observar o seu interior, guiados por uma funcionária da empresa que explora aquele espaço. O interior está decorado com objectos de grande valor. Contudo só uma mesa é que remonta à época de construção do palacete.
À semelhança dos outros palacetes também este apresenta numerosos quartos com tectos muitos altos, denotando o gosto burguês dos fins do século XIX, chamado “gosto brasileiro”.
Os três últimos palacetes não pertencem ao estilo de origem Suiça, mas a um estilo mais próximo da arquitectura portuguesa.
Verificamos, no decurso desta visita, que qualquer intervenção deve respeitar e integrar-se dentro das características tipológicas e morfológicas que marcam a arquitectura do lugar onde incide.
Pudemos ainda constatar que todas as operações de reabilitação deverão assegurar as condições básicas de higiene e conforto, proporcionando a adequada qualidade ambiental imprescindível para o reuso actual dos diferentes tipos de edifícios como habitações ou outra utilização.
Percebemos que se deve promover a máxima utilização possível dos diversos elementos e partes das construções antigas, antes de se prever a sua substituição por materiais e soluções técnicas mais modernas. Justificando-se esta opção sobretudo sob o ponto de vista de coerência construtiva, já que se verificam que as antigas construções têm uma durabilidade comprovada por séculos de existência.
Assim todos os palacetes reabilitados apresentam um trabalho cuidadoso de manutenção do estilo arquitectónico característico da época de construção e o bom aproveitamento de infra-estruturas existentes para adaptação às novas utilizações necessárias nas diferentes actividades que se desenvolvem dentro de cada um.


Anexo 1

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